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Luiz Alberto Mendes, autor de Memórias de um Sobrevivente, surpreende e escandaliza com autobiografia sexual despudorada

Com alta voltagem erótica, Luiz Alberto Mendes fala de suas memórias sexuais sem metáforas e meias-palavras em Tesão e Prazer – Memórias Eróticas de um Prisioneiro


O paulistano Luiz Alberto Mendes alcançou já em seu livro de estréia, Memórias de um Sobrevivente (Companhia das Letras, 2001), sucesso de público e de crítica. No seu segundo livro, Tesão e Prazer – Memórias Eróticas de um Prisioneiro (Geração Editorial, 212 pp, R$ 32,00, prefácio de Paulo Lima), Mendes despe a própria história sexual, escandalizando uns e excitando outros com uma alta carga de erotismo que dispensou figuras de linguagem e metáforas.

Como no livro anterior, Mendes choca pela franqueza quase rude: aqui, fala de sexo e prazer sem pudor, desfilando excitações, quenturas, corpos escancarados, gemidos, gritos, gozos, prazeres, culpas. Mas não se trata de pornografia. Nem de ficção erótica pura e simples. O autor fez-se mais uma vez personagem e demonstrou a incrível coragem de expor o próprio submundo, usando como matéria-prima o que para uns seria inconfessável: os caminhos quase sempre assustadores do desejo sexual.

Foi quase um trabalho de arqueologia da própria sexualidade. Juntando os pedaços da história de prazer da sua vida e narrando suas experiências em ordem cronológica, ele reconstrói uma juventude e uma adolescência conflituosas, que mesclaram repressão e culpa com a necessidade constante de sexo.

O que se lê tem a força de um Jean Genet, autor a quem Mendes já foi comparado. O estilo forte é quase inacreditável, tendo em vista que o autor, autodidata, só começou a se interessar por livros na prisão — onde cumpre pena de 74 anos por homicídio, assalto à mão armada e outros crimes. Com sua literatura, Mendes aponta sem hesitações ou perplexidades inúteis a existência crua das grades — sejam elas dos cárceres, das ruas, dos corpos ou das vontades.

Leia entrevista com Luiz Mendes

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