Eis
aqui um livro absolutamente original. Trata-se de
uma lista – uma lista de 70 discos que, em
algum momento, transformaram a vida de muitas pessoas.
No caso, pessoas que vão do escritor suíço
Alain de Botton, um dos principais nomes da literatura
européia, ao jornalista Maurício Kubrusly,
do Fantástico, o cantor Lulu Santos, o comentarista
esportivo Juca Kfouri ou o publicitário Washington
Olivetto.
O autor da proeza – o sujeito que reuniu estas
pessoas e as convenceu a escrever sobre os discos
que mudaram a vida deles, eventualmente salvando
a vida de um ou outro – foi o jornalista goiano
Alexandre Petillo. O livro chama-se “Noite
passada um disco salvou minha vida – 70 álbuns
para a ilha deserta”, da Geração
Editorial (304 págs., R$ 29,90).
Como surgiu a idéia de tal livro? Com a palavra,
o autor:
– Eu estava vendo o programa do David Letterman
e ele falava da morte de um músico, o Warren
Zevon. Letterman, além de grande amigo de
Zevon, se disse um admirador da música que
ele produzia e, se tivesse que levar um disco para
a ilha deserta, levaria algum do Zevon. Eu fiquei
surpreso com aquilo, já que Zevon não
faz um tipo de música das mais animadas e
Letterman é um comediante. Não consegui
entender a relação entre os dois.
Percebi que todo mundo tem uma trilha-sonora na
cabeça, discos que representam um momento
determinado da vida de alguém. Achei interessante
reunir, em um livro, pessoas conhecidas falando
sobre como um disco foi importante na vida delas.
Trata-se de um livro que não interessa apenas
aos fãs de música. A música,
na verdade, foi apenas o ponto de partida para que
cada um refletisse sobre a... vida. Como afirma
Petillo, “é um livro para quem gosta
de boas histórias.” Porque é
disso que o livro trata: de histórias de
vida, da emoção partilhada ao som
de um disco, de como a música pode levar
alguém a se transformar.
Como diz a jornalista Gisella Vanessa Carvalho,
que apresenta o livro, “Noite passada um disco
salvou minha vida – 70 álbuns para
a ilha deserta” “é um pouco de
tudo isso: cotidiano e inusual, amor e desamor,
noite e dia, sol e chuva, encontro e desencontro,
descrença e esperança, sempre regados
a uma canção dessas que a gente nunca
canta sem razão”.
Os textos reunidos no livro, diz Petillo, “falam
de redenção, de alegria, de tristeza,
de bons momentos, de renascimento, de amor. De como
amar, principalmente. Artistas, jornalistas, músicos,
escritores falam sobre discos e, ao falar deles,
falam da vida”.
Alguns dos depoimentos são terrivelmente
dramáticos: o cantor Leo Jaime, por exemplo,
escreveu sem piedade sobre sua espantosa experiência
com as drogas,da King´s College, onde se reuniam
umas 500 pessoas de várias classes sociais:
“Tinha rico e pobre, jovem e velho. Quando
a música começou, iniciou também
um poderoso processo de alquimia social. A música
expressou sentimentos escondidos, travados, mas
que estavam gritando para sair, sentimentos e pensamentos
ate então resguardados apenas aos seus donos.
Meus olhos se encheram de lágrimas, lágrimas
de alívio e de agradecimento ao compositor
e aos músicos, que tornaram audíveis
e perceptíveis, para mim e para os outros,
os movimentos de nossas almas”.
É algo assim como se a vida de cada um tivesse
uma trilha sonora a acompanhá-la. Como afirma
Alexandre Petillo, “todos nós temos
uma trilha sonora. Quando ouvimos uma canção
no rádio, logo vêm imagens à
nossa memória. A música traz lugares,
amores, pais, amigos, situações engraçadas,
outras tristes... O livro mostra quais foram essas
músicas que salvaram a vida de vários
ídolos brasileiros. Em alguns momentos, esses
grandes nomes descem do patamar de celebridade em
que se encontram para contar a dor e a alegria que
uma canção pode proporcionar. E atestam:
todos temos a nossa trilha-sonora e o mundo seria
muito mais chato sem música.”
Entrevista
com o Autor do livro Alexandre Petillo