Sexta, 12 de Março de 2010
HOME  |  DÚVIDAS
 
 
Busca 
INSTITUCIONAL
Quem somos
Entre em contato
Seja nosso autor
CATÁLOGO
Brasileiros
Estrangeiros
Interesse Geral
Infanto-Juvenil
LIVROS
Por Título
Por Autor
Lista de Preços
ACONTECE
Links
Fotos
Eventos
Leio Geração
IMPRENSA
Release
Geração na Mídia
Banco de Imagens
DOWNLOADS
E-books
Wallpaper
PONTOS DE VENDA
Livrarias
Distribuidores
Cadastro
 

Vencer ou morrer na guerrilha. Aos 18 anos

Celso Lungaretti, apontado durante 34 anos como delator e renegado pela esquerda armada dos anos 70, revela em livro a tragédia dos jovens numa guerra de adultos.

O autor autografa o livro dia 10 de novembro na Livraria Saraiva do Shopping Morumbi, a partir das 19hs, com um debate sobre os grupos de esquerda armada e a ditadura militar com a presença do jornalista Audálio Dantas, o ex-preso politíco Ivan Seixas e o jornalista Paulo Nogueira.

Celso Lungaretti era um dos mais jovens dirigentes de uma organização guerrilheira de luta armada contra a ditadura militar, no final dos anos 60 e início dos 70, quando foi preso e barbaramente torturado. Acusado de ter delatado seu grupo, passou 34 anos como um renegado, até conseguir provar, há um ano, sua inocência. Neste livro dramático (Náufrago da Utopia – Vencer ou morrer na guerrilha. Aos 18 anos, Geração Editorial, 304 pps., R$ 39,00), ele relembra as passeatas, a ocupação de faculdades e fábricas, os festivais de música, as ações armadas dos guerrilheiros, seus conflitos internos, as trajetórias de personagens como José Dirceu, Geraldo Vandré, Marighela e Lamarca, reconstituindo, de forma magistral e dolorida, a história de sua geração – dos jovens estudantes sem experiência militar recrutados para combater a ditadura pelas armas. E acerta, finalmente, as contas com sua consciência e a História.

Trata-se de um livro dramático e impressionante que reconstitui, numa linguagem crua e ao mesmo tempo dolorida, um dos períodos mais trágicos de nossa história recente - o período em que os grupos de esquerda armada de combate à ditadura militar, nos anos 60 e 70, tiveram seus principais militantes e combatentes presos, mortos em ação ou friamente executados e passaram a recrutar para suas fileiras jovens estudantes secundaristas sem maturidade política e sem experiência de combate. Mesmo assim, eles foram para a linha de frente da guerra revolucionária. Celso Lungaretti era um desses jovens.

Neste seu livro-desabafo, um terrível depoimento preso há mais de 30 anos na garganta, ele reconstitui a trajetória de um desses grupos de estudantes, desde o recrutamento num colégio da Zona Leste de São Paulo. Ele passa pelo aprendizado marxista; pela contestação desenvolvida na própria escola; pela organização do movimento secundarista em toda a capital paulista durante o explosivo ano de 1968; pelo engajamento na luta armada em 1969; e, finalmente, pelas prisões, torturas e mortes nos anos seguintes.

Através do olhar empolgado desses jovens, trava-se contato com os acontecimentos e personagens mais importantes daquele período em que o Ato Institucional n°. 5 mergulhou o país nas trevas, restringindo as liberdades políticas e de organização social. Relembram-se aqui as passeatas e congressos estudantis, a ocupação de faculdades e fábricas, os festivais de música popular, a resistência dos artistas e intelectuais, as expropriações (assaltos) de bancos, os seqüestros de diplomatas, as tentativas de guerrilha rural, nos moldes da China e do Vietnã, as trajetórias de personagens brasileiros históricos.

Celso Lungaretti evoca com vigor, nostalgia e uma dor cortante sua própria história e a história de seus amigos. Fala do que viu e viveu. Apresenta suas lembranças de forma literária, como se seu livro fosse um romance, o que torna a leitura especialmente fascinante e tensa, dando ao leitor a sensação de que está no centro dos acontecimentos. Mas é sempre fiel à verdade dos fatos - ou, como ele diz, “tão fiel quando pode ser alguém tão profundamente marcado por aqueles episódios”.
Poucos, como ele, puderam sentir tão duramente, na pele e no cérebro, as conseqüências de ser um jovem numa guerra de adultos. Preso em abril de 1970, Celso estava há mais de dois meses incomunicável quando houve um agravamento das torturas à que foi submetido e teve um tímpano perfurado. Com a resistência física e mental em frangalhos, acabou aceitando a imposição dos militares: renegar publicamente a guerrilha. O comandante guerrilheiro Carlos Lamarca, um ídolo da esquerda de então, o acusou de ter revelado o local de um campo de treinamento da guerrilha. Foi sua desdita e condenação, sem direito a defesa alguma.

Celso Lungaretti, mais do que um “arrependido”, passou a ser visto como “delator”, traidor da causa, aquele que não resistira à tortura e revelara informações preciosas sobre o movimento. Estigmatizado durante 34 anos, teve, em 2004, a oportunidade de lançar novas luzes sobre aqueles acontecimentos. Defendendo sua causa junto à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e aproveitando a documentação finalmente liberada dos arquivos secretos militares, pôde demonstrar que seu “arrependimento” na TV se dera em circunstâncias de extrema coerção. E que, sob tortura, não delatara ninguém. Até chegar nisso, entretanto, foram três décadas de incompreensão, rejeição e tormento. Celso passou 34 anos de sua triste vida como um renegado, aquele que não merecia tolerância, compreensão ou perdão.

Começando como uma epopéia e tragédia coletiva, Náufrago da Utopia termina com a luta solitária de um ex-militante para resgatar sua dignidade de revolucionário.


Leia entrevista com Celso Lungaretti

Faça aqui o download dos arquivos relacionados a esse livro:
 
O Mistério de 2012
Gregg Braden
Calendário maia prevê o fim do mundo em 2012. Já estudos de outras áreas contrariam o prognóstico apocalíptico da antiga civilização.
Honoráveis Bandidos
Palmério Dória
Toda a insólita carreira do ex-governador do Maranhão, ex-presidente da República e atual senador no polêmico livro de Palmério Dória.
Antje Rávic Strubel
As camadas mais frias do ar
Antje Rávic Strubel
Antje Rávic Strubel põe o dedo na ferida aberta da sociedade alemã contemporânea e questiona as conflitantes convenções sociais.
A Marquesa de Santos
Paulo Setúbal
O romance literário e historiográfico de Paulo Setúbal é relançado em edição de luxo ilustrada pela Geração Editorial..
Helena de Tróia
Margaret George
A lendária guerra travada entre gregos e troianos é contada agora pela voz de Helena, mulher cujo rosto teve a reputação de “lançar ao mar mil navios”.
Relatório da CIA
Heródoto Barbeiro
O império americano vai acabar? O Brasil será em breve uma potência mundial? O mundo vai entrar em guerra por água
e comida?
Tempo Seco
Clara Arreguy
Na beleza do cenário brasiliense, histórias de taxistas sobre a forte presença política e a violência urbana na capital do País.

Fome
Knut Hamsunl
Clássico da
literatura universal
O escrito norueguês Knut Hamsun, premiado com o Nobel em 1920, traz a comovente e intrigante história de um homem vagabundo e famélico.
Pulo do Gato 3
Márcio Cotrim
Estudo etimológico com expressões e palavras avulsas usadas diariamente que têm, muitas vezes, origem pitoresca, exótica e casual.