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Emediato volta à literatura 25 anos depois com suas histórias proibidas sobre a ditatura militar
Reunião de todos os contos e novelas de Luiz Fernando Emediato revela histórias de amor e guerra no confronto entre esquerda armada e ditadura

No início dos anos 70, quando a ditadura militar brasileira, escancarada, mandava prender, torturar e matar opositores, um jovem escritor de Minas – Luiz Fernando Emediato, pouco mais de 20 anos – escrevia histórias com títulos provocativos e incendiários, como “De como estrangular um general”. Nada extraordinário para um jovem se, naquela época os generais não estivessem até matando quem se armasse contra eles.

Personagens reais, como os generais-ditadores Médici e Geisel, ou o jornalista Wladimir Herzog, torturado até à morte pela ditadura, misturavam-se a demônios, anjos e dragões que se moviam entre tiros e delírios na cidade imaginária de Mondoro, onde mulheres de seios pequenos e o alter-ego do autor, um escritor hesitante e angustiado, envolviam-se em histórias ardentemente eróticas, cheias de heroísmo, violência e coragem.

As dramáticas histórias – contos e novelas – escritos por Emediato dos 20 aos 26 anos e publicados em três livros em 1977 e 1978 – voltam agora, num volume único organizado pelo escritor Luiz Ruffato, com o título de “Trevas no Paraíso – histórias de amor e guerra nos anos de chumbo” (Geração Editorial, 352 págs., R$ 39,90). Além dos textos reunidos naqueles três livros – “Não passarás o Jordão”, “Os lábios Úmidos de Marilyn Monroe” e “A Rebelião dos Mortos”, publicados respectivamente pelas editoras Alfa-Ômega, Ática e Codecri – o novo volume traz dois contos publicados esparsamente, o conto que deu a Emediato o famoso prêmio do Concurso Nacional de Contos do Paraná, em 1971, quando ele tinha apenas 19 anos, e um inédito, uma longa história sobre a guerrilha do Partido Comunista do Brasil – PC do B na região amazônica do rio Araguaia.

Mas por que o relançamento, agora, dos textos escritos e publicados por Emediato – alguns com cortes determinados pela censura – nos anos 70? É Luiz Ruffato, o organizador e autor do premiado “Eles eram muitos cavalos”, quem “reapresenta” o autor e afirma porque vale a pena ler suas histórias:

– A resposta é simples: propor uma reflexão sobre o momento em que vivemos, de profunda desagregação social e alienação intelectual, tomando como ponto de partida o período que, acredito, se desdobra neste, do Brasil sob a ditadura militar – as “trevas no paraíso” a que se refere o título do livro. Como prosa de qualidade, os contos de Emediato retratam uma época específica, mas superam-na para além do documento de profunda dimensão humana: é pura literatura.”

Emediato acrescenta:

– Acho que este relançamento vale também porque há toda uma geração que não conhece aquela a trágica história daqueles tempos. Quando terminei uma pequena novela sobre a guerrilha do Araguaia, em setembro, dei para uma mestranda em literatura na USP ler. Ela tem 24 anos e gostou muito do texto, que realmente mexe com emoções. Mas, ao final, ela perguntou: “Mas o que foi esta guerrilha do Araguaia”.Então, há uma história que não foi contada direito. A divulgação das fotos de Herzog sendo humilhado na prisão, pouco antes de seu assassinato, também provoca uma curiosidade muito grande, ao lado da indignação, sobre aquele período. Herzog é personagem de meu livro.

A volta

Emediato, 53 anos, parou de escrever contos em 1978 e jamais reeditou seus livros. Foi jornalista (premiado com o Esso, maior prêmio da categoria, e o Rei de Espanha de jornalismo internacional) de 1973 a 1990, com passagens pelo Jornal do Brasil (repórter), O Estado de S. Paulo (repórter e editor) e SBT (diretor-executivo de jornalismo). Atualmente, ao lado de Jiro Takahashi – editor na Ática quando aquela editora publicou o primeiro livro de Emediato – ele é sócio e editor da Geração Editorial, de São Paulo. Desde 1979, quando saiu a última edição de um de seus livros de contos, havia no mercado, dele, apenas dois livros infanto-juvenis e a coletânea “Verdes Anos”, histórias sobre a juventude que, ou se alienava na música, na droga e na omissão, no Brasil do milagre econômico, ou enfrentava a ditadura ingenuamente, pelas armas.

Por que Emediato parou de escrever?

– Muito simples – explica. – Acho que aconteceu comigo mais ou menos o que aconteceu com o Carlos Heitor Cony, que também ficou um quarto de século sem escrever. Em primeiro lugar, perdi a necessidade, digamos assim, de escrever ficção. Dediquei-me ao jornalismo, exclusivamente, até 1990, quando abandonei a profissão, meio desiludido com ela. Passei alguns anos fazendo consultoria política, admito que cinicamente. Me senti meio vazio com isso e abri uma editora de livros, a Geração, e passei então a publicar livros dos outros. Vivia dizendo para mim mesmo que escrever ficção não fazia sentido, mas, contraditoriamente, continuei lendo ficção e publicando. Aí me vem o Luiz Ruffato e durante mais de um ano ficou martelando em minha cabeça que eu devia voltar. Então, voltei. Autorizei a edição dos textos antigos e, por incrível que pareça, voltei a escrever também. Simples, assim. Por quê? Para quê? Francamente, não sei. Simplesmente voltei.

Retomou um romance –“ Memórias falsas de um canalha” – iniciado em 1978 e já com umas quinhentas páginas. Dá os últimos retoques numa novela concluída há 20 anos e jamais publicada – “A terra era vaga e vazia” – e projeta um novo romance, sobre sua geração, aquela que sonhou com o socialismo nos anos 70, viu ruir o muro de Berlim e viu surgir a Internet.

– Este novo romance, do qual só tenho por enquanto a sinopse, começa nos anos 60, com a infância do herói, passa pelos anos 70, com os anseios de liberação sexual e individual, a luta armada e os sonhos de vida comunitária, envereda pelos 80, com a exacerbação do individualismo e a morte dos sonhos libertários, passa pelos 90, com o completo desencanto e termina no início do século XXI, com uma grande interrogação. Para onde vamos, afinal? É isso. Não sei ainda até onde isso vai dar, de repente a história muda no meio do caminho.

Milagre e horror

Enquanto os livros novos não vêm, as novas gerações podem descobrir agora este autor que chegou a causar furor em meados dos anos 70, quando fazia palestras incendiárias, nas escolas e universidades, com seus cabelos compridos e encaracolados e sua falsa timidez. Começava suas palestras gaguejando, embalava o discurso e podia discutir com os estudantes por até quatro horas. “Na verdade, eu não tinha noção do perigo. Enquanto falava contra a ditadura militar, contra a tortura e a censura, companheiros nossos morriam em confronto com os militares e os industriais que financiavam os torturadores”.

Eram os tempos do Milagre Brasileiro e dos Anos de Chumbo: nos jornais censurados, não havia inflação e sobravam empregos, o governo construía a Transamazônica e a seleção brasileira de futebol era a melhor do mundo. Na vida real, havia guerrilheiros, confrontos com as forças do governo nas cidades e nas matas do Araguaia, prisões, tortura e morte. Foi sobre esses dois mundos “simultâneos”, “ambos reais” e que “coexistiram negando-se” – segundo afirma Elio Gaspari em sua série de livros sobre a ditadura militar – que Luiz Fernando Emediato escreveu.

Um crítico da época afirmou na revista Veja que Emediato poderia vir a ser “o Castro Alves da Revolução de 1964”. Outro afirmava no Jornal do Brasil que “tamanha angústia, apertada até o heroísmo”, era rara “na ficção brasileira atual”. Antonio Callado, Rubem Fonseca, Renato Pompeu, Carlos Drummond de Andrade, Fábio Lucas, Fausto Cunha, entre outros, chamaram a atenção para o jovem autor – cujo “repúdio às anomalias políticas e sociais” adquiria o tom de “indignado comício”, ressaltava Hélio Pólvora na mesma revista Veja.

O jovem Luiz Fernando Emediato fustigou a moral burguesa e a ditadura militar sem parar, de 1973 a 1979, numa série de histórias irreverentes, explosivas e indignadas, carregadas de vigor e heroísmo, muitas delas censuradas, geralmente sob o argumento de que eram “atentatórias à moral e aos bons costumes”. Ganhava prêmios literários na mesma medida em que se envolvia em confrontos com a censura e a repressão.

– Muitos de nós, naquela época, fizemos uma literatura de combate, porque os jornais e revistas estavam censurados e a televisão submissa. Vivíamos fugindo da polícia e da repressão. Vivíamos tentando encontrar formas de enganar os censores. Acho que uma das razões pelas quais não tentei reeditar meus livros foi por considerar, finda a ditadura, que aqueles textos já não faziam sentido. Ainda tenho dúvidas quanto a isso, mas como o Luiz Ruffato, a quem respeito e admiro muito, insiste que eles têm algum valor... então concordei na reedição. Acho que talvez sirvam pelo menos para mostrar, a uma nova geração, como era nossa vida naquele tempo.

“Trevas no Paraíso” tem duas curiosidades: uma delas é a longa história, 20 páginas, que dá título ao livro. Uma história que tem como pano de fundo a guerrilha do PC do B no Araguaia, cuja primeira versão tinha sido rabiscada em 1980. Emediato só a concluiu agora, em setembro, quando o livro já estava a caminho da gráfica, com outro título.

– Foi reescrevendo essa história, e me emocionando com ela, que realmente voltei a escrever – diz Emediato. É uma história de estrada, um pai e seu filho viajando pelo interior do Brasil, num clima de tensão e mistério.

A estrutura narrativa lembra o filme “Central do Brasil”, todo um país e seu povo vão surgindo enquanto os personagens viajam de um canto a outro.

A outra curiosidade é quase uma surpresa, no final do volume: o conto “O Filho”, com o qual Emediato foi revelado, aos 19 anos, no então famoso Concurso Nacional de Contos do Estado do Paraná, que premiara, anos antes, autores como Dalton Trevisan, Rubem Fonseca e Lygia Fagundes Telles.

– Acho que vale só como curiosidade – diz o autor. – Eu o escrevi quando tinha 18 anos, é um texto bem convencional. Vale para mostrar, talvez, como surge um escritor que logo vai enveredar por outros caminhos, bem menos tranqüilos. Antes dele, encerrando mesmo o livro, há outro conto, “O Despertar da Primavera”, onde um jovem escritor, eu mesmo, relata sua vida paradoxalmente despreocupada e angustiada naquele Brasil contraditório e terrível, e diz que um dia vai escrever sobre aquilo tudo. Então, acho que esse “Trevas no Paraíso”, relançado 25 anos depois, é meio que um depoimento de um jovem escritor brasileiro sobre o tempo que viveu. Talvez por isso possa valer alguma coisa.

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