| Só
os Idiotas são Felizes
Uma
“bordoada” bem escrita e divertida, com
o estilo próprio e perturbador de Ailin Aleixo. |
Segundo pesquisas,
56% da população mundial é composta
por mulheres. Mas apesar de serem maioria na terra,
elas são minoria na literatura adulta. Minoria
escandalosa, diga-se de passagem. Pode contar: temos
Platão, Plutarco, Stendhal, Veríssimo
(os dois), Drummond, Sartre, Camus, Hemingway, Capote,
Vargas Llosa, Neruda, Paul Auster, Bandeira, enfim:
uma lista infinita. E mulheres, quantas ? Clarice
Lispector, Margarite Yourcenar, Simone de Beauvoir,
Dorothy Parker, Patrícia Highsmith e mais umas
poucas. Um descompasso que começa a ser equilibrado
com a chegada de Ailin Aleixo.
“Só os idiotas são felizes”
é o seu primeiro livro de ficção
e sai pela Geração Editorial (112 páginas,
R$ 29,00). Ailin foi editora da revista Vip, Viagem
e Turismo e atualmente é editora especial da
revista Playboy. Tudo começou há sete
anos atrás quando ela trocou e-mails com Fábio
Hernandez, colunista da revista Vip na época.
Os dois tornaram-se amigos até que Hernandez
pediu a ela que tentasse escrever uma crônica
que desse uma noção ao homem sobre o
universo feminino. O texto fez tanto sucesso que Ailin
não só começou sua coluna “Mulher
Honesta” como virou editora da revista, ficando
lá por três anos.
Depois de alguns “obstáculos” na
vida pessoal, Ailin conseguiu reunir os contos em
um livro. “Resolvi agrupar esses contos e empacotá-los
com o que havia de comum entre eles: um certo cinismo
em relação ao que chamam de felicidade”,
explica. “Só os Idiotas são felizes”
é também o nome de um dos contos do
livro e, talvez, o mais polêmico. Além
de ser uma frase de impacto, passa a idéia
de que aqueles que possuem menos discernimento e aceitam
a vida como é são mais felizes do que
aqueles que questionam as coisas. Ailin conclui: “quanto
mais referencial, mais questionamento”.
A escritora Gisela Rao disse que “Só
os idiotas são felizes” não é
um livro e sim uma “bordoada”. Ailin acredita
que a “bordoada” é por causa dessa
constatação de que as culpas, os erros,
os descaminhos são, na maioria das vezes, causados
por quem reclama e não por um terceiro ou pelo
destino cruel. “A verdade é que criamos
o nosso destino e a nossa alegria (ou ausência
dela)”, afirma.
E o trabalho de Ailin Aleixo é assim: com um
estilo próprio, divertido e por vezes perturbador.
Flerta com o otimismo, mas acaba namorando com a poesia
dark deprê urbana. Um jeito de escrever que
só lendo. E o leitor está convidado:
passeie pelas páginas deste livro, e no fim
dele concorde conosco: descobrimos uma escritora.
E isso não acontece todo dia.
Entrevista
com Ailin Aleixo
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