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ENTREVISTA
Rinaldo Fernandes

Como surgiu a idéia de organizar a antologia Contos cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea?

Em 2002, quando ministrei para universitários um curso sobre o conto brasileiro da segunda metade do século XX, vi que os textos mais violentos, especialmente os de Rubem Fonseca (“Feliz Ano Novo”, “O Cobrador”), entusiasmavam os alunos de um modo muito especial. Notei que a violência era um tema que os cativava porque, a partir dele, podíamos discutir problemas importantes da sociedade brasileira contemporânea: exclusão, marginalidade, tráfico, repressão, mídia, consumismo (há personagens de Rubem Fonseca que se revoltam com as imagens de ostentação que a TV veicula), etc. No início de 2004 decidi que ia organizar a antologia e conversei com o editor Luiz Fernando Emediato, que me deu todo o apoio necessário para prepará-la.

Quais foram os critérios adotados para preparar a antologia?

Acredito que o bom texto está em vários autores e em vários lugares. Hoje, no Brasil, temos escritores já consagrados convivendo com escritores emergentes – e uns e outros estão produzindo coisas de qualidade. Por exemplo, em 2005, um dos melhores, senão o melhor, livro de contos publicado no Brasil foi Rita Ritinha Ritona, de Dalton Trevisan – ou seja, a novidade veio de um autor já tarimbado. Mas autores mais recentes também fizeram coisas de valor: Ronaldo Correia de Brito, Amílcar Bettega Barbosa, André Santanna, Nelson de Oliveira, Tércia Montenegro, etc. Assim, reuni num só livro contistas que vieram dos anos 70 ou até antes (Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Lygia Fagundes Telles, Ivan Ângelo, Luiz Vilela, Moacyr Scliar, Ignácio de Loyola Brandão, Caio Fernando Abreu, Nélida Piñon, Luiz Fernando Emediato, Moreira Campos), e que publicaram textos antológicos, com contistas mais jovens (Marçal Aquino, Marcelino Freire, Aleilton Fonseca, Carlos Ribeiro, Cíntia Moscovich, etc.), tendo ainda a preocupação de incluir representantes de várias regiões do país. Alguns autores que não estão no mercado mas que fazem boa literatura. A antologia, assim, dá uma ótima dimensão do conto contemporâneo – o que se fez há alguns anos ou está se fazendo agora no gênero aqui no país.


Você, como Doutor em Letras, acredita que a literatura pode dizer algo importante acerca de um tema tão instigante e atual como esse da violência?

Sim, claro. Os escritores exploram situações exemplares vividas pelo homem contemporâneo. Os contos da antologia, essencialmente urbanos, trazem ângulos inusitados de dramas cotidianos, às vezes vistos na TV. Retratam por dentro e com pontos de vista diferentes, fora das abordagens consagradas pela mídia e absolvidas pelo senso comum, uma realidade que está aí para ser debatida e modificada. A literatura pode contribuir, e muito, para uma outra percepção do fenômeno.

Como é enfocada a violência no livro?

Os contos abordam a violência física e a psicológica. A violência física é muito explorada pela mídia e está em toda parte, entre policiais e traficantes, no trânsito, nos lares, nos botecos, etc. A violência psicológica tem a ver com a palavra, com o discurso que desqualifica, fere ou submete o outro. É comum onde há hierarquia, em que o indivíduo se sente mais qualificado ou poderoso que o outro – por exemplo, nas relações de trabalho (patrão X empregado) e em certas relações familiares (marido X mulher). Mas ela existe também em outros contextos: quando alguém discrimina alguém, quando há piada ou dito preconceituoso, etc.

Acha que a antologia será bem recebida pela crítica e pelo público?

Muitos dos textos e autores da antologia já passaram pelo crivo da crítica. É o caso de “Feliz Ano Novo” (Rubem Fonseca), “A casa de vidro” (Ivan Ângelo), “Venha ver o pôr-do-sol” (Lygia Fagundes Telles), “Sargento Garcia” (Caio Fernando Abreu), “Capitu sou eu” (Dalton Trevisan), “A Cabeça” (Luiz Vilela), “Os doze parafusos” (Moreira Campos), “O jardim das oliveiras” (Nélida Piñon), “Os lábios úmidos de Marilyn Monroe” (Luiz Fernando Emediato), etc. Acredito que o público também aprovará o livro, terá muito interesse nele, pois o tema é mesmo instigante e a antologia traz o que há de mais significativo no conto brasileiro contemporâneo.

Você, que em 2004 organizou a coletânea Chico Buarque do Brasil e que agora preparou os Contos Cruéis, ainda pretende sair com alguma outra antologia?

Sim, eu sinto muito prazer em preparar antologias. Levo em média 1 ano preparando cada uma delas. E o resultado é sempre muito bom, há sempre um ótimo retorno. O Luiz Fernando Emediato disse algo certa vez que me deixou muito contente: “Hoje, uma antologia organizada pelo Rinaldo de Fernandes é sempre um acontecimento”. Bom, se as pessoas pensam assim, eu fico feliz., porque faço as coisas com muita responsabilidade, com muito critério. E tenho preocupações em pensar o país, a nossa sociedade tão desigual, injusta.

Para finalizar, fale do Rinaldo contista, que lançou recentemente seu segundo livro e que tem o conto “Duas margens” incluído nos Contos Cruéis.

Já lancei dois livros de contos, O Caçador (1997) e O perfume de Roberta (2005), e tenho um outro pronto (Rita do pomar). O meu livro mais recente, O perfume de Roberta, que saiu pela Garamond/RJ e que foi prefaciado pelo Moacyr Scliar, está tendo, para a minha alegria, uma ótima recepção. “Duas margens”, que está nos Contos Cruéis, pertence a O perfume... É um conto de final assustador, segundo afirmam alguns. Bom, só sei que ele é mesmo muito cruel...

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