Sábado, 04 de Fevereiro de 2012
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ENTREVISTA
Edson Aran

O que este seu novo livro, “O Imbecilismo?”, tem em comum com o anterior, “Conspirações”?
Quase nada, acho, só o senso de humor. Mas tem uma diferença aí. “Conspirações” é um livro bem humorado e “O Imbecilismo” é um livro de humor rasgado, que não leva nada nem ninguém a sério. Pensando bem, talvez os dois livros tenham mais em comum do que eu havia imaginado...

E do que falam esses textos de humor?
Do ridículo de tudo: filmes do Almodóvar, Fashion Week, Caetano Veloso, cinema nacional, literatura de mulherzinha e, claro, de política também. O glorioso presidente Lula é um grande personagem.

Desenvolva...
O Lula é o Bom Selvagem que levou a sério a história da própria pureza, coitado. É um auto-iludido. Começou o governo como “o iluminado” e vai sair “o enlameado”. Mas vai continuar acreditando que tudo está bem e que ele está predestinado a mudar a história da humanidade. Seria uma trajetória trágica se não fosse tão ridícula.

E o Almodóvar?
É uma Glória Perez ainda mais mexicana, né? Aquelas histórias com toureiros travestis que ficam paraplégicos e, só de raiva, mudam de orientação sexual...

Humm... E cabe tudo isso no mesmo livro?
Claro, é um livro de textos de humor, crônicas, coisa rápida. Na verdade, ainda tem muito mais coisa do livro. São 40 crônicas e mais 16 listas absolutamente cretinas.

Que tipo de lista?
Absolutamente cretinas. Por exemplo: “9 coisas ridiculamente cretinas para fazer no banheiro da sua empresa” ou “10 maneiras de deixar o elevador mais interessante”, com dicas do tipo “arrume uma caixa de papelão e escreva ‘cabeça humana’ nela. Ande sempre com a caixa.”

Quais são suas influências no humor?
O Millôr Fernandes, antes de todos, claro. O homem é um gênio e virou meu leitor, coisa que me dá muito orgulho. Pô, eu leio o cara desde que me entendo por gente e agora ele é quem me lê. Não é o máximo? Eu acho.

Quem mais?
O humor brasileiro é muito bom e eu li todo mundo, do Barão de Itararé ao Campos de Carvalho. Mas acho que, além do Millôr, quem mais me influenciou foi o Ivan Lessa. Ah, tem um outro cara que eu gosto muito: o Leon Eliachar, que precisa ser republicado urgentemente. Tem muito mais gente ainda, mas vou parar por aí.

E esse título, “O Imbecilismo”, vem de onde?
É um dos textos do livro, que conta a história de um movimento artístico chamado imbecilismo, que começa junto com o dadaísmo e o surrealismo. Daí eu conto o que aconteceu com o movimento, quem são seus principais representantes etc. Sabia que o Brasil está cheio de imbecilistas? O Caetano Veloso, por exemplo, é um imbecilista. O Cacá Diegues também. E o Niemayer. Tudo imbecilista.

Este é seu quarto livro, certo?
Sim, é meu quarto livro e o segundo pela Geração Editorial. Escrevi “Aqui Jaz – O livros dos Epitáfios” (publicado pela Ática), “A Noite dos Cangaceiros Mortos-Vivos” (Nova Alexandria) e “Conspirações – Tudo o que não querem que você saiba” (Geração). Também edito um site de humor, o www.sitedoaran.com.br, onde muito dos textos do livro foram originalmente publicados.

Quer mandar um recado para alguém?
Sim, quero mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e para e a Xuxa.

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