Quinta, 20 de Novembro de 2008
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ENTREVISTA
Alexandre Petillo

Como surgiu a idéia de fazer esse livro?

Estava vendo o programa do David Letterman e ele falava da morte de um músico, o Warren Zevon. Letterman, além de grande amigo de Zevon se disse um admirador da música que ele produzia e, se tivesse que levar um disco para a ilha deserta, levaria algum do Zevon. Eu fiquei surpreso com aquilo, já que Zevon não faz um tipo de música das mais animadas e Letterman é um comediante. Não consegui entender a relação entre os dois. Percebi que todo mundo tem uma trilha-sonora na cabeça, discos que representam um momento determinado da vida de alguém. Achei interessante reunir em um livro, pessoas conhecidas falando sobre como um disco foi importante na vida delas.

É um livro somente para fãs de música?

Não. Pelo contrário. Fãs xiitas de música podem até ficar chateados com o livro. Em alguns textos, nem se fala muito do disco em questão. O que está sendo abordado é o momento que a pessoa vivia quando ouviu aquele disco. Se fala mais do período – e da influência – do que da obra propria

mente dita. É um livro para quem gosta de boas histórias, de conhecer um pouco mais sobre esse pessoal. O Rogério Skylab, por exemplo, vai explicar muito de si com o seu texto.

70 textos não fica cansativo?

De maneira nenhuma. Principalmente porque um texto não tem ligação direta com o outro. Portanto, o leitor pode ler um de cada vez. Ler um agora, outro daqui duas horas. Mas eu tenho que te avisar: é impossível ler um só.

De quais textos você gostou mais?

Vou ter que recorrer a um clichê de pai: gostei de todos de forma igual. Mas existem alguns bem emocionantes. O Leo Jaime, por exemplo, fala de uma barra pesadíssima que viveu, envolvendo drogas e dureza antes da fama. O Jotabê Medeiros, do Estadão, fez um brilhante texto também sobre sua vida antes de trabalhar em um grande jornal e como manter a sanidade dentro da imprensa cultural. Adriano Silva, da editora Abril, praticamente definiu os anos 80 em seu texto. Antônio Carlos Miguel também fez um texto emocionante. Alex Antunes lembra de forma comovente de dois amigos que partiram. Juca Kfouri e Chico Pinheiro fizeram seleções interessantíssimas... Enfim, vou acabar falando de todos, todos são bem legais.

Qual foi a escolha mais surpreendente?

Fiquei bem surpreso com o impacto da banda inglesa Cure na vida das pessoas – é uma das mais citadas. Me surpreendi também com a escolha do Lulu Santos. O Kassim, produtor musical, também veio com uma escolha diferente. Alvin L também foi inesperado. A escolha do Bruno, da banda Maskavo, é diferente do tipo de som que eles fazem. O livro foge bastante do óbvio.

Qual é o público alvo do livro?

Todo mundo. Nem só aqueles que são obcecados por música. É um livro para todos que gostam de ler. E nem precisam conhecer os discos. Por outro lado, pode ser a porta de entrada para quem não liga para música ficar conhecendo gente muito bacana.

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