Como
surgiu a idéia de fazer esse livro?
Estava vendo o programa
do David Letterman e ele falava da morte
de um músico, o Warren Zevon. Letterman,
além de grande amigo de Zevon se
disse um admirador da música que
ele produzia e, se tivesse que levar um
disco para a ilha deserta, levaria algum
do Zevon. Eu fiquei surpreso com aquilo,
já que Zevon não faz um
tipo de música das mais animadas
e Letterman é um comediante. Não
consegui entender a relação
entre os dois. Percebi que todo mundo
tem uma trilha-sonora na cabeça,
discos que representam um momento determinado
da vida de alguém. Achei interessante
reunir em um livro, pessoas conhecidas
falando sobre como um disco foi importante
na vida delas.
É um livro
somente para fãs de música?
Não. Pelo contrário.
Fãs xiitas de música podem
até ficar chateados com o livro.
Em alguns textos, nem se fala muito do
disco em questão. O que está
sendo abordado é o momento que
a pessoa vivia quando ouviu aquele disco.
Se fala mais do período –
e da influência – do que da
obra propria
mente dita. É um
livro para quem gosta de boas histórias,
de conhecer um pouco mais sobre esse pessoal.
O Rogério Skylab, por exemplo,
vai explicar muito de si com o seu texto.
70 textos não
fica cansativo?
De maneira nenhuma. Principalmente
porque um texto não tem ligação
direta com o outro. Portanto, o leitor
pode ler um de cada vez. Ler um agora,
outro daqui duas horas. Mas eu tenho que
te avisar: é impossível
ler um só.
De quais textos
você gostou mais?
Vou ter que recorrer a
um clichê de pai: gostei de todos
de forma igual. Mas existem alguns bem
emocionantes. O Leo Jaime, por exemplo,
fala de uma barra pesadíssima que
viveu, envolvendo drogas e dureza antes
da fama. O Jotabê Medeiros, do Estadão,
fez um brilhante texto também sobre
sua vida antes de trabalhar em um grande
jornal e como manter a sanidade dentro
da imprensa cultural. Adriano Silva, da
editora Abril, praticamente definiu os
anos 80 em seu texto. Antônio Carlos
Miguel também fez um texto emocionante.
Alex Antunes lembra de forma comovente
de dois amigos que partiram. Juca Kfouri
e Chico Pinheiro fizeram seleções
interessantíssimas... Enfim, vou
acabar falando de todos, todos são
bem legais.
Qual foi a escolha
mais surpreendente?
Fiquei bem surpreso com
o impacto da banda inglesa Cure na vida
das pessoas – é uma das mais
citadas. Me surpreendi também com
a escolha do Lulu Santos. O Kassim, produtor
musical, também veio com uma escolha
diferente. Alvin L também foi inesperado.
A escolha do Bruno, da banda Maskavo,
é diferente do tipo de som que
eles fazem. O livro foge bastante do óbvio.
Qual é o
público alvo do livro?
Todo mundo. Nem só
aqueles que são obcecados por música.
É um livro para todos que gostam
de ler. E nem precisam conhecer os discos.
Por outro lado, pode ser a porta de entrada
para quem não liga para música
ficar conhecendo gente muito bacana.