Segunda, 08 de Fevereiro de 2010
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Entrevista com Tami Simon

Tami Simon é organizadora da antologia 2012 e editora da Sounds True, que lançou originalmente o livro nos Estados Unidos.                                                                                          

Como você conheceu a previsão maia sobre o ano de 2012? Por que se interessou pelo assunto?

Eu ouvi falar pela primeira vez sobre o Calendário Maia em 1985, quando tinha 22 anos e apresentava um programa de entrevistas na KGNU, rádio pública do condado de Boulder. Meu entrevistado era José Argüelles, autor do livro “O Fator Maia”. Eu senti uma inexplicável atração por José e fiquei fascinada por suas previsões sobre o futuro e seu chamado para que mudemos nosso caminho de vida, interrompendo a destruição do meio-ambiente. José e eu decidimos, então, criar uma série de dez episódios de entrevistas para o rádio chamada “Transformações da Terra”, a qual examinou todos os aspectos do mundo contemporâneo – astronômico, econômico, social, político – e a mudança que acreditamos que está em curso e que nos conduzirá ao ano de 2012. José ainda me deu uma camiseta que ele produziu (antes de 1985!) que dizia: “Onde você estará em 2012?” 

Meu interesse no assunto veio de um sentimento interior que me perseguiu por toda a vida. Sempre acreditei que a humanidade está em um estado de perigo sem precedentes. Este perigo é o resultado de diversos fatores incluindo o crescimento populacional, consumo global de combustíveis fósseis, instabilidade econômica, aumento das capacidades tecnológicas de destruição, e uma falta de maturidade humana na hora de resolver nossas diferenças. Eu quis ser parte da solução e trabalhar com outras pessoas interessadas na conscientização sobre a situação do mundo atual.

Mesmo os mais céticos devem ler a antologia 2012? Por quê?

“2012” foi intencionalmente criado para um “Leitor Investigativo”. Nosso objetivo foi gerar uma visão compreensiva do fenômeno 2012, reunindo em um volume o que especialistas de diferentes áreas tem a dizer sobre 2012 – incluindo cientistas, astrônomos, futurólogos, ativistas, e videntes de diferentes profecias de tradições calendares (Azteca, Hopi, e obviamente Maia). Geralmente especialistas em 2012 discutem só uma perspectiva sobre este período de mudanças radicais. Na Sounds True, o que nós quisemos foi reunir em um volume uma congregação de variadas perspectivas de modo que os leitores céticos possam se familiarizar com os diversos pontos de vista e cheguem à sua própria conclusão.

Como foi o desafio de unir textos científicos e espiritualistas, pertencentes a dois campos do conhecimento, a princípio, antagônicas?

Não houve oposição em termos ao reunir ensaios em “2012”. A maioria das autoridades reconhece que são autoridades em seu próprio campo de expertise e não tentam invadir outras áreas em suas investigações. Quando nós fizemos o chamado para ensaios para esta antologia, recebemos uma resposta entusiástica de escritores e especialistas em vários distintos campos sem haver nenhuma oposição.

Para terminar, o que você espera do ano de 2012?

Eu vejo a chegada do ano de 2012 através da metáfora de uma onda chegando à costa. Nós já estamos sentindo isso e pessoas sensíveis sentem esta onda que trará mudanças globais já há bastante tempo. A maioria das pessoas reconhece que estamos em um período de “aceleração” em que as transformações estão acontecendo de forma cada vez mais rápida. No decorrer dos próximos anos nós continuaremos a sentir essa aceleração e a sensação de que nossa tradicional estrutura social está mudando debaixo de nós. Como as pessoas responderão a essa experiência de crescente insegurança em um mundo que está mudando de cara com tanta velocidade? Eu acredito que nós veremos diferentes reações, incluindo o aumento do medo assim como mais pessoas reconhecendo nossa interconexão, a fragilidade humana, e respondendo ao chamado de trabalharmos juntos para criar uma civilização global sustentável e justa que seja bem sucedida com novas formas sociais dentro do terceiro milênio. 2012 é um ano que marca nosso reconhecimento coletivo de que estamos em um tempo de mudanças. O que realmente importa é como nós respondemos exatamente agora, em 2012 quando esta onda atingir a costa, e nos anos seguintes com a necessidade de reestruturar nossos sistemas sociais.

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