Sexta, 23 de Junho de 2017 | TELEVENDAS: (11) 3256-4444 Busca
INSTITUCIONAL
Quem somos
Entre em contato
Seja nosso autor
CATÁLOGO
Brasileiros
Estrangeiros
Interesse Geral
Infanto-Juvenil
Jardim dos Livros
LIVROS
Por Título
Por Autor
Lista de Preços
ACONTECE
Links
Fotos
Eventos
Leio Geração
IMPRENSA
Release
Geração na Mídia
Banco de Imagens
DOWNLOADS
E-books
Wallpaper
PONTOS DE VENDA
Livrarias/Distribuidores
Cadastro
 
Porto Molhado, 22 de agosto-mês-do-desgosto de 1977


Emediato, amigo:

“Estou um tanto perturbado – recém cheguei do cinema, fui ver O Inquilino, do Polanski. Acho que poucas vezes, ou nunca, vi nada tão patológico: é assustador, sobretudo porque convincente – um processo de enlouquecimento visto de dentro, num crescendo que chega até o gran-guignol do final – brrrrr! Já estou elaborando em cima da minha perturbação e tentando entender – saí do cinema absolutamente tonto, trêmulo, me enfiei no boteco da frente e tomei um balde de café. Agora passou pouco. É que o filme, do meu enfoque, é justamente sobre a paranóia no relacionamento entre as pessoas (no caso específico do filme, agravada por uma série de outros fatores – a solidão e o homossexualismo contido da personagem). Essa paranóia, essa desconfiança, esse medo do outro tem sido meu leit-motiv nos últimos tempos. Vem de fora pra dentro – porque a cidade grande, o trabalho no jornal e o ninho de cobras da, aarrgh!, vida-literária só fazem aumentar isso; mas vem também – e isso é que me assusta – de dentro pra fora, de núcleos doentes, escuros e tristes existentes dentro de mim, e já vividos numa dimensão de terror semelhante à do Inquilino principalmentn sob efeito de ácido. E (até quando?) sob vigilância constante, sob controle, em tratamento (eficaz?).

Mas tudo isso é pra prefaciar uma atitude que tomei na semana passada, e que me sinto – ia escrever obrigado ou no dever, mas não é nada disso: bem, quero te contar. Um amigo meu mandou-me o recorte de uma carta dele enviada e publicada em O Pasquim da semana passada, em que ele criticava a entrevista conosco. A resposta era uma grossura incrível (...).

O sangue me ferveu: fiquei PUTO. Somei isso a um telefonema ambíguo (?) do Jeferson recebido um dia antes (...) e resolvi agir, por minha conta, sem consultar absolutamente ninguém.

Escrevi duas cartas: uma à seção de cartas daquele jornaleco careta e reacionário, de três páginas, muito agressiva, dizendo absolutamente tudo o que penso sobre eles e sobre os cortes feitos na entrevista (estranho que praticamente não cortaram nada das palavras de vocês, só das minhas). Outra ao Jeferson, dizendo que absolutamente não permito que a Codecri ou seja quem for se dê tais direitos sobre um texto meu. Quero saber da possibilidade de retirar meus contos de uma possível terceira edição.

Não sei que providências eles tomarão – talvez eu tenha comprado uma briga muito feia e preciso até de advogado. Não importa. Assumo plenamente o que fiz. Estou de saco absolutamente cheio da Codecri, do Pasquim, das intrigas do Jeferson e das atitudes doentias do nosso amigo Julio Cesar. Eu tenho uma psicologia muito frágil – simplesmente não quero me envolver em estorinhas sujas como essa. É doloroso ver o carreirismo, a falta de escrúpulos e o mau-caratismo de gente que eu, ingênuamente, supunha “amigos”.

Estou ferido e cansado. (...) e escrevo a você explicando diretamente o que se passa, para que não venha um desses jefersons ou julios da vida armarem tramas escuras entre a gente. Eu te quero bem e gostaria de preservar o relacionamento da gente – que me parece sadio. É só nisso que estou interessado: um pouco de saúde, um pouco de honestidade, um pouco de decência.

(...)

No mais, arrasto minha solidão por dentro do cinza deste agosto interminável em direção não sem bem a quê, quem sabe? Ou outubro, ou novembro. Ou um Godot qualquer que não vem nunca. Sei lá.

Estou enviando os recortes das entrevistas. Mais este conto para a Inéditos. É uma barra, mas é o que eu sou. Ou pelo menos um dos meus lados. Talvez o mais limpo. Do meu ponto de vista.

Dê notícia, quando puder. Um abraço para Sylvia. Outro procê. Do

Caio

Brasil Analfabetizado
Três em cada quatro brasileiros estão entre os analfabetos funcionais. Mas o que é isso?
Um papo sobre criatividade
O que Van Gogh, Poe, Picasso, Millôr, Jung e outros criativos têm a dizer a respeito?
A história do livro no Brasil
Uma entrevista com Laurence Hallewell, autor do clássico O Livro no Brasil.
Claros Enigmas
Antes de morrer, Carlos Drummond de Andrade, que não gostava de ser entrevistado, falou com nosso editor.
Meu caso de amor com Caio Fernando Abreu
O editor da Geração revela os comoventes bastidores de uma relação secreta, de amor e ódio
Viva Cacilda Becker
O maior mito dos palcos nacionais, tem sido também um grande enigma para a maioria dos brasileiros que cresceram de fins dos anos 60 para cá.