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Porto, 08 de julho de 1977


Emediato, irmão:

Nêgo, foi muito bom receber a tua carta. MUITO BOM MESMO. Eu estava cheio de suspeitas, pintaram muitas estórias paranóicas na minha cabeça – com base no real, infelizmente (se fosse demência seria mais fácil). As estorinhas around as Histórias de um Novo Tempo foram tantas & tantas, e tão exaustivas, e tão idiotas que – enfim, deixa pra lá. Bastidores literários: aaaaarrrrrrrg! Mon coéur vomite.

(...) Vou hoje à tarde pra Caxias do Sul, lançamento do Ovo (tão antigo) & papos (que cansaço) com estudantes.Eu todo doído. Minha vida tá toda errada. Bodes em vários níveis, às vezes me sinto bombardeado de – sei lá o quê: em casa, no trabalho, afetivamente, financeiramente. Poucas vezes a barra esteve tão pesada. No país, é isso que você vê. Cada vez pior. Ai, Emediato, pra onde a gente tá indo? Prenderam gente, a paranóia tá à solta por aqui. Y otras – muchas – cositas más. Em compensação, tenho trabalhado – escrito – muito. Talvez por fuga? Não sei, acho que não – porque a realidade dos meus textos é tão ou mais (?) terrível do que o real dia-a-dia.

Sobre você vir em julho: MARAVILHOSO. Dificilmente poderei ir a Buenos Aires – só tenho direito a férias em setembro. Mas mesmo que você fique cinco minutos aqui, seria ótimo. Se você quiser, pode ficar lá em casa (mudei praquela casinha, anote lá: rua Chile, 661) com ou sem Sylvia. Eu espero que o relacionamento de vocês se resolva de maneira que te doer menos. Não quero me atrever a dizer coisas sobre – mas, olha, evite arrastar um relacionamento moribundo. Sempre é melhor reagir, partir pra outro do que arrastar, arrastar.

Mangarielo (N. da R. – Fernando Mangarielo, editor da Alfa Ômega) esteve aqui – também gosto muito dele, descontado certo speed (típico de SP). Lá (e aqui de novo) ele já tinha feito altos elogios a você: sobre a sua elegância, a sua finura, a sua correção – mais ou menos o que disse a você de mim. O que me faz supor – quem sabe? – que essas sejam características do signo de Virgem. Meu livro – Pedras de Calcutá – deve sair em outubro.

Li a crítica do Pólvora (N. da R. – Hélio Pólvora, crítico da revista Veja) sobre o Jordão (N. da R. –Não Passarás o Jordão, livro de estréia de Luiz Fernando Emediato, pela editora Alfa Ômega, de Fernando Mangarielo, em 1977). Fiquei contente, como divulgação é ótimo (como crítica, bem...), O prêmio da Status eu já sabia, pelo Julio – PARABÉNS. Tudo isso é muito bom, além de você merecer, é um puta impulso pra te lançar.

Nêgo, eu não tô nada bem. Queria te escrever com mais carinho, mais entusiasmo, com mais vida. Mas olha, não tá saindo. Queria muito que a gente se visse em julho.

Acordei com uma frase do Poema Sujo me massacrando a cabeça:

“como uma coisa suja (uma culpa) dentro de uma pessoa” mas não consigo relacioná-la com nada objetivo. Talvez seja uma coisa que eu deva evitar: culpas, culpas, culpas, culpas.

Emediato, gosto muito de você.
Um abraço do seu irmão,

Caio

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