Segunda, 21 de Agosto de 2017 | TELEVENDAS: (11) 3256-4444 Busca
INSTITUCIONAL
Quem somos
Entre em contato
Seja nosso autor
CATÁLOGO
Brasileiros
Estrangeiros
Interesse Geral
Infanto-Juvenil
Jardim dos Livros
LIVROS
Por Título
Por Autor
Lista de Preços
ACONTECE
Links
Fotos
Eventos
Leio Geração
IMPRENSA
Release
Geração na Mídia
Banco de Imagens
DOWNLOADS
E-books
Wallpaper
PONTOS DE VENDA
Livrarias/Distribuidores
Cadastro
 
Porto, 08 de março de 1977


Emediato, companheiro:

Outro dia Julio César ligou pro jornal e batemos um bom papo, fiquei sabendo de todas as novas – desde o lançamento da antologia, programado para o fim de abril, até a remessa das Edições Marginais, pelo Jeferson (que não chegou mesmo).

Você me dá belas notícias – livros, editoras (Ática e Alfa-Ômega são ótimas).

O livro que aprontei, em princípio, tem editora. Deve ser mesmo a Globo, que tem uma distribuição péssima – mas eu tenho uma preguiça enorme de batalhar outra.

(...)

Trabalho, trabalho, trabalho. Resolvi “endurecer” um pouco minhas críticas (que usavam muitos “panos quentes”, em função da minha insegurança, principalmente) tenho tido problemas e mais problemas. Desde crises de consciência (sempre me culpo por possíveis injustiças) até situações desagradáveis com pessoas da “classe”.

(...)

Completei um ano de terapia e, com a loucura mais ou menos sob controle, talvez até o fim deste ano me sinta em condições de partir (N. da R - do Rio Grande do Sul). Coisa que, objetivamente, fica cada vez mais difícil...

Forças!

Tô mandando procê o número 3 da Paralelo – o primeiro pós Censura Prévia. Não houve grandes problemas para este número, cortaram pouca coisa. Mas a barra de grana da revista é que tá pesada. E pessoas desanimando, caindo fora do barco. Não acredito que vá além do número 5. Uma pena. Parece que os nanicos entraram quase todos em crise.

(...)

Sobre o “Manifesto Neo-Realista”, vou ser bem franco: eu realmente não sei. Sou cético, pessimista – acho que somos todos bons escritores, mas acho também meio megalômano nos supormos a nata das natas, saca? Acho inclusive uma atitude elitista. Somos bons, mas somos jovens e só o tempo é que pode dizer se a gente vai conseguir, pelo menos, continuar escrevendo. E às vezes, confesso, até mesmo isso me parece muito difícil. Então não sei, companheiro.

Também tenho uma dificuldade incrível para me definir. A primeira frase, “contra o individualismo”, de cara já me grila. Eu não sei MESMO se sou contra o individualismo. Em processo terapêutico, e com uma formação literária onde as influências maiores creio que foram Lispector, Virginia Woolf, Proust, Drummond, Pessoa, por aí – não sei se posso afirmar isso, me entende? Pelo menos agora, eu não me sinto seguro. Por outro lado, há itens inteligentíssimos: “... literatura nacional, mas não xenófoba, populista ou demagógica. Assimilar e deglutir de forma crítica o que, não sendo nacional, for universalmente necessário” – por exemplo, acho perfeito. Quem sabe uma reformulação, não sei. Se vocês acharem que não é possível reformular, vamos supor, e que discorde de muitas outras coisas, vai sem o meu nome, por mim tudo bem.

Em abril, irei até o Rio, seja como for. Eu tinha inclusive direito a uma semana de férias que aproveitaria agora em fevereiro. Julio César inclusive já falou que posso ficar lá (na casa dele).

Uma vontade INCRÍVEL de conhecer vocês. Curioso o que você diz do Pellegrini, é de se conferir pessoalmente. “Seguro e saudável” – acho que sobre mim você poderia dizer “inseguro e doentio”... Mas tenho, também, meus bons momentos. Só não suporto cara machão (também não suporto mulher fêmea demais), gente barulhenta, agitada e neurótica. Um mínimo de silêncio, um pouco de ambigüidade (ai, a formação européia...)

Recebi uma Edições Marginais (um exemplar).

Não cheguei a ler todo e uma amiga carregou, Mary, fascinado pelo seu conto – que eu nem tinha lido ainda. Achei excelente o Raízes, do Domingos (Pellegrini). Poesia, simplicidade, síntese, limpeza: lindo.

Um abraço do seu companheiro,

Caio

Brasil Analfabetizado
Três em cada quatro brasileiros estão entre os analfabetos funcionais. Mas o que é isso?
Um papo sobre criatividade
O que Van Gogh, Poe, Picasso, Millôr, Jung e outros criativos têm a dizer a respeito?
A história do livro no Brasil
Uma entrevista com Laurence Hallewell, autor do clássico O Livro no Brasil.
Claros Enigmas
Antes de morrer, Carlos Drummond de Andrade, que não gostava de ser entrevistado, falou com nosso editor.
Meu caso de amor com Caio Fernando Abreu
O editor da Geração revela os comoventes bastidores de uma relação secreta, de amor e ódio
Viva Cacilda Becker
O maior mito dos palcos nacionais, tem sido também um grande enigma para a maioria dos brasileiros que cresceram de fins dos anos 60 para cá.