Domingo, 30 de Abril de 2017 | TELEVENDAS: (11) 3256-4444 Busca
INSTITUCIONAL
Quem somos
Entre em contato
Seja nosso autor
CATÁLOGO
Brasileiros
Estrangeiros
Interesse Geral
Infanto-Juvenil
Jardim dos Livros
LIVROS
Por Título
Por Autor
Lista de Preços
ACONTECE
Links
Fotos
Eventos
Leio Geração
IMPRENSA
Release
Geração na Mídia
Banco de Imagens
DOWNLOADS
E-books
Wallpaper
PONTOS DE VENDA
Livrarias/Distribuidores
Cadastro
 
Porto, 28 de dezembro de 1976


Emediato, companheiro,

Recebi tua carta – gracias. Olha, tô em dívida com você e com uma porção de gente, já faz tempo. Acontece que mudei – saí da casa de meus pais (enfim!) para um apartamento – e, além de toda a agitação natural, perdi minha caderneta de endereços. Com essa, perdi o contato com o Julio César – e a respeito de nossa antologia só sei o que você me diz agora.

Olha, a Inéditos tá excelente. (...) Gracias pelo anúncio da Paralelo. A gente precisa. Talvez você já saiba, mas, se não sabe, talvez pudesse publicar uma notinha na próxima Inéditos: foi instituída a censura prévia a partir do número 3 de Paralelo. Não se sabe por quê. Simplesmente chamaram o editor - Delmar – no Dops e comunicaram. Mas a gente continua. Forças.

Eu acho que estou bem. A saída de casa foi ótima. (...) Eu precisava desmamar. (...) Moro com um companheiro, um amigo velho, de mais de 10 anos. (...) Andei amando loucamente, como há muito tempo não acontecia. De repente a coisa começou a desacontecer. Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem. Ou: que se há de fazer.

Seria muito bom se o lançamento de nossa antologia fosse logo e a gente pudesse se encontrar no Rio. Acho que a gente teria muito pra conversar. Sinto uma ligação telepática (?) com você.

Não se angustie demais com trabalhos e esses baratos: deixe rolar. As previsões pra 77 são negras, fica difícil ter ilusões ou esperar, simples e candidamente que as coisas melhorem. Objetivamente, só vão piorar. Subjetivamente, a barra é de cada um. Segura daqui, segura dali – meu caro amigo. Estou te falando lugares comuns, não é? Me deu um branco agora – o cão começou a uivar no Pink Floyd.

Releio Alice no País das Maravilhas e descubro que sou um menino que caiu na toca do coelho e ainda não conseguiu entender tudo (jamais saberei). A gente olha em volta, o olho arregala, o coração bate. O ano tá terminando, meu amigo. Menos um. Os votos de feliz-ano-novo foram proibidos. Uma das coisas boas desse ano que passou foi conhecer você – pelo menos por carta. Fique contente, dentro do possível, fique contente. Curta o seu filho e o seu amor.

Até outra, um abraço amigo, muito grande, do seu

Caio

Brasil Analfabetizado
Três em cada quatro brasileiros estão entre os analfabetos funcionais. Mas o que é isso?
Um papo sobre criatividade
O que Van Gogh, Poe, Picasso, Millôr, Jung e outros criativos têm a dizer a respeito?
A história do livro no Brasil
Uma entrevista com Laurence Hallewell, autor do clássico O Livro no Brasil.
Claros Enigmas
Antes de morrer, Carlos Drummond de Andrade, que não gostava de ser entrevistado, falou com nosso editor.
Meu caso de amor com Caio Fernando Abreu
O editor da Geração revela os comoventes bastidores de uma relação secreta, de amor e ódio
Viva Cacilda Becker
O maior mito dos palcos nacionais, tem sido também um grande enigma para a maioria dos brasileiros que cresceram de fins dos anos 60 para cá.