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Porto, 06 de outubro de 1976


Emediato, amigo,

Cheguei em casa do jornal e tinha uma coincidência curiosa e agradável – uma carta do Julio César, outra do Pellegrini, outra sua. Julio César tinha mandado um telegrama sobre a transação com o Pasquim: eu não acreditei e continuo não acreditando muito. Sou meio cético com essas coisas, talvez os deuses pasquinianos tenham dito que sim, com a intenção de enrolar-enrolar ad infinitum, como de costume. Mas como sou também paranóico e inseguro até as raias da demência (gosto muito desta palavra), espero que seja verdade. Principalmente porque merecemos, não é mesmo? Falando sério: seria muito bom (eu acho é que não estou querendo me entusiasmar muito, como tenho vontade, com medo de um desmentido). Deixa andar. Forças!

(...)

Trabalho: hoje fiz – SOZINHO – DUAS páginas do jornal. (...) Ufa. Mas sabe que eu gosto? Acho ambiente de redação deliciosamente neurótico. E, sei lá, o contato obrigatório com a palavra, todo santo dia, tá me fazendo escrever muito: saio de lá e venho pra casa escrever minhas próprias coisas.

(...)

Também fico cansado, vampirizado. (...) Meu irmão, a gente tem que descobrir maneiras – sejam quais forem – de ficarmos fortes. Paranóias de lado, é como um complô para que a gente mergulhe num fazer neurótico de coisas, ansiosamente, sem tempo para nós mesmos e as nossas ficções. Para que a gente desista, todos os dias. Você sabe que não devemos, que não podemos e, principalmente, que não queremos. Eu não sei se um dia as coisas realmente mudarão mas procuro, em tudo que escrevo (que é o meu jeito de agir sobre o mundo) colaborar de alguma maneira para que essa mudança venha. Você sabe, estou saindo de um momento muito escuro, então tenho procurado não deixar que as minhas dores pessoais – do meu ponto de vista: enormes – interfiram no meu viver objetivo.

(...)

Fiquei curioso com a sua auto-biografia-reveladora-e-bandeirosa, amanhã mesmo vou comprar. O título do conto é lindo. Tenho um pôster velhíssimo de Marilyn Monroe aqui na porta do meu quarto, e agora mesmo olhei para a esquerda e vi os lábios úmidos abertos num sorriso infantil, drogado e sensual. Uma coisa: dos últimos contos que escrevi tem um que acho publicável – você sabe com ou quem eu poderia transar na Status? Gilberto Mansur?

(...)

Se nossa antologia sair mesmo provavelmente vai ter rebus no Rio, aí certamente nos conheceremos. Vai ser bom. Dê notícias também. Não se preocupa demais. Relaxe. Navegue. Qualquer coisa, prende o grito, che. Estamos por aqui.

Um abraço do seu,

Caio

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