Cerca de 350 livros foram vendidos no lançamento de Entre o Sonho e o Poder, depoimento de José Genoino à jornalista Denise Paraná, lançado pela Geração Editorial, na segunda-feira (21 de agosto), na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. A sessão de autógrafos começou às 18h30 e só terminou pouco antes das 23h. Entre os presentes, estavam os candidatos do Partido dos Trabalhadores ao governo paulista, Aloizio Mercadante, e ao Senado, Eduardo Suplicy, além da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy. “Tua eleição fará justiça não somente à tua história, mas permitirá que lutemos juntos por uma reforma política no país”, afirmou em carta a Genoino o ministro Tarso Genro, coordenador político do governo.
Em entrevista à imprensa, José Genoino, candidato a deputado federal, afirmou que não quer mais ser estrela do partido nem ocupar as manchetes dos jornais. “Temos que cuidar mais da relação com a base do partido, com os movimentos sociais, com a aproximação da militância e a relação da direção com esta militância”, disse.
O ex-guerrilheiro e ex-deputado abriu sua alma diante de Denise Paraná, jornalista paulista com doutorado em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado pela Universidade de Cambridge, e autora de Lula, o Filho do Brasil. Seu novo livro não é uma obra de jornalismo investigativo, mas um longo balanço de uma vida de extremos. Genoino faz uma análise da trajetória de quatro décadas da esquerda brasileira, analisa a crise do PT e mantém sua opção pelo sonho.
Denise Paraná procurou José Genoino num momento de ostracismo do ex-deputado. “A derrota, como tudo na vida, tem seu lado de luz e seu lado de sombra”, afirma a autora na introdução de Entre o Sonho e o Poder. “Sempre desconfiei do êxtase dos vitoriosos, da onipotência que a vitória traduz”, diz. Ela encontrou um homem mergulhado em impotência e dor. “Onde estava aquele personagem que vivia cortejado por jornalistas nos corredores do Congresso Nacional, o deputado de sorriso largo e olhos faiscantes que eu conhecia?”, acrescenta Denise Paraná.
No livro, Genoino narra desde sua infância pobre no interior do Ceará, sua participação na política estudantil, a clandestinidade durante a ditadura militar, a preparação e a eclosão da Guerrilha do Araguaia, a prisão e a tortura, as eleições que ganhou e perdeu, a atuação na Constituinte, a chegada ao poder com a vitória de Lula em 2002, a presidência do PT e a enorme crise em que se envolveu o partido.
Genoino chegou a ter pensamentos extremos, mas reagiu e mostra-se inteiro no livro, exposto ao julgamento de sua geração. Ele não deixa de falar também sobre sua vida pessoal e familiar, antes e após a crise política.